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Os 20 principais autores de doujinshi da história
De Shotaro Ishinomori aos autores de boys' love dos anos 2000, uma lista de 20 autores de doujinshi que ajudaram a construir o circuito independente japonês, com círculo, período e obras de cada um.
Todo mundo conhece o doujinshi pelos livros, mas quem faz esse circuito andar são as pessoas. Alguns autores de doujinshi criaram eventos, outros inventaram gêneros, e muitos usaram a mesa do evento como ensaio antes de virar profissionais. Escolhemos 20 nomes, em ordem mais ou menos cronológica, que ajudam a contar essa história.
Se você está chegando agora, vale ler antes o que é doujinshi e passar no glossário de termos japoneses. Os nomes vêm com romanização e grafia japonesa, que é o que você vai encontrar no okuzuke (奥付), a ficha técnica no fim de cada livro.
Como escolhemos os autores de doujinshi desta lista
Ficaram de fora alguns nomes famosos que vão ganhar texto próprio aqui no blog, como CLAMP, TYPE-MOON e ZUN, porque a ideia era olhar para quem fez do doujinshi a obra, e não só o trampolim. Também aplicamos a mesma curadoria da loja aos autores: quem é conhecido principalmente por obras com personagens menores de idade ou de aparência infantil não entra, por mais famoso que seja. Algumas capas aparecem ao longo do texto, sempre com personagens adultas e sem nudez.
Os pioneiros, dos anos 1950 aos 1970
1. Shotaro Ishinomori (石ノ森章太郎)
Antes de criar Cyborg 009 e Kamen Rider, Ishinomori montou em 1953, ainda no colegial, o Higashi Nihon Manga Kenkyūkai (東日本漫画研究会), um grupo de leitores que mandavam desenhos para a revista Manga Shōnen. O grupo fazia uma revista manuscrita que circulava de mão em mão, a Bokujū Itteki (墨汁一滴). Fujio Akatsuka, que depois faria fama com o humor, estava entre os primeiros membros. É o retrato do doujinshi antes da fotocopiadora.
2. Monkey Punch (モンキー・パンチ)
Kazuhiko Katō trabalhava num grupo de doujinshi com outros desenhistas quando foi chamado pela editora Futabasha, em meados dos anos 1960. O pseudônimo veio de um editor, e o sucesso, com Lupin III. É um dos primeiros casos de autor tirado do circuito amador por uma editora grande.
3. Meikyū (迷宮)
Círculo de crítica de mangá formado por três estudantes da Universidade Meiji: Yoshihiro Yonezawa (米澤嘉博), Teruo Harada (原田央男) e Jun Aniwa (亜庭じゅん). Depois de brigar com a organização de outro evento de fãs, o grupo criou o seu. A primeira Comiket aconteceu em 21 de dezembro de 1975, com 32 círculos e algumas centenas de visitantes. Yonezawa representou a Comiket de 1980 a 2006, e o acervo dele hoje está na própria Universidade Meiji.
4. Akiko Hatsu (波津彬子) e Yasuko Sakata (坂田靖子)
As duas faziam juntas doujinshis de histórias entre homens no fim dos anos 1970, e a elas se atribui a palavra yaoi (やおい), sigla irônica de “sem clímax, sem desfecho, sem sentido”. O termo aparece ligado ao que elas publicavam na revista Rappori (らっぽり). As duas viraram profissionais, e a palavra virou nome de gênero no mundo todo.
A geração da Comiket nos anos 1980
5. Masamune Shirow (士郎正宗) e o círculo Atlas

O primeiro trabalho completo de Shirow, Black Magic, saiu em 1983 na antologia do Manga Kenkyū Dantai Atlas (漫画研究団体アトラス), um círculo de amadores. O presidente da editora Seishinsha viu o livro, reeditou a história em 1985 e abriu a porta para Appleseed, que ganhou o prêmio Seiun em 1986. Daí vieram Ghost in the Shell e todo o resto. A Atlas seguiu lançando revistas, e os números antigos ainda aparecem nos sebos japoneses.
6. Kimihiko Nakamura (中村公彦)
Entrou ainda estudante na equipe da Pafu (ぱふ), revista de informação sobre mangá, e depois virou editor-chefe. Em 1984 ajudou a criar a COMITIA, um evento só de obras originais, sem paródia, e a partir de 1985 passou a dirigir o comitê organizador. A COMITIA começou com cerca de 100 círculos e chegou a 5.600. Desde 2003 o evento recebe editoras que avaliam originais de amadores no próprio salão, o que levou muita gente do circuito ao mercado. Nakamura morreu em abril de 2026.
7. Kōsuke Fujishima (藤島康介)
Também passou pela Pafu, como editor. Assinando 南田洋, publicava ali uma tira de quatro quadros e lançava doujinshis pelo círculo Walküre (ワルキューレ), além de desenhar quadrinhos da equipe para o catálogo da Live Magazine Festival, o primeiro evento de doujinshi de Chiba. Estreou como profissional em 1986 e no mesmo ano começou Taiho Shichauzo (逮捕しちゃうぞ), sobre duas policiais de trânsito. Em 1988 veio Aa! Megami-sama (ああっ女神さまっ), que ficou em cartaz por décadas.
8. Nobuteru Yūki (結城信輝)

Começou no doujinshi com dois nomes de círculo tirados de Philip K. Dick: Takai Shiro no Otoko (高い城の男, “O Homem do Castelo Alto”) e Ubik (ユービック). Virou designer de personagens de animação, com trabalhos em Record of Lodoss War e na nova série de Space Battleship Yamato, e nunca largou o círculo. Os livros de rascunhos e correções de animação que ele vende em evento são quase um arquivo da carreira.
9. Kia Asamiya (麻宮騎亜)

Michitaka Kikuchi (菊池通隆), o nome real, assina com ele os trabalhos de anime e usa o pseudônimo no mangá. Estreou como mangaká em 1986 e ficou conhecido por Silent Möbius, sobre uma divisão policial de mulheres adultas que caça demônios numa Tóquio futurista. Pelo Studio TRON e por outros círculos, publica há décadas livros de ilustração e reedições das próprias séries. O da capa acima saiu na Comiket 107.
10. Masami Ōbari (大張正己)

Animador e diretor, conhecido pelo estilo de robôs com pose de lutador que os fãs chamam de “Obarism”. O nome dele ganhou peso quando, aos 19 anos, desenhou a parte mecânica de Dancouga. Os livros do Studio G-1 e dos círculos que vieram depois juntam desenhos de animação e ilustrações de séries em que trabalhou, como Fatal Fury.
11. Mutsumi Inomata (いのまたむつみ)
Animadora desde o fim dos anos 1970, desenhou os personagens de Cyber Formula e de vários jogos da série Tales of. Paralelamente, vendia livros de ilustração em evento, como Chocolate Torte, que hoje circulam nos sebos especializados. Morreu em março de 2024.
12. Kenji Tsuruta (鶴田謙二)

Autor de Spirit of Wonder, publicado entre 1986 e 1995, e de Bōken Erekite-tō, desenha mulheres adultas com um realismo raro no mangá. Pelo círculo Happy Kōgyō Shinsha (ハッピー興行新社) lança coletâneas e livros de ilustração, como o da capa acima.
Dos anos 1990 em diante
13. Yasuhiro Nightow (内藤泰弘)

Na faculdade, Nightow desenhava por hobby e vendia doujinshis em eventos com o círculo Kamonegi Switchblade (鴨葱スウィッチブレイド). Depois vieram Trigun, a partir de 1995, e Kekkai Sensen. O círculo continuou ativo com livros originais, como Timerium, cheios das máquinas detalhadas que viraram marca dele.
14. Kazuya Minekura (峰倉かずや)
Atuava como autora de doujinshi antes de estrear em 1993. Saiyuki, a releitura de Jornada ao Oeste com um monge que fuma e anda armado, tem origem num doujinshi do Studio Backgammon e virou série profissional em 1997. O elenco principal é adulto.
15. Fumi Yoshinaga (よしながふみ)
Descobriu o doujinshi no ginásio, fez livros durante toda a faculdade e frequentava a Comiket. A estreia profissional veio em 1994, sem que ela abandonasse o circuito: continuou lançando doujinshis, inclusive de Antique Bakery, a própria série. Hoje é mais conhecida por Ōoku e Kinō Nani Tabeta?, mas segue sendo o exemplo de autora que nunca escolheu entre um lado e outro.
16. Kōshi Rikudō (六道神士)

Fazia doujinshi adulto, e o mais popular era Shiritsu Sentai Daitenzin (市立戦隊ダイテンジン), paródia de super sentai lançada na Comiket nos anos 1990. Quando a editora Shōnen Gahōsha ofereceu uma série, ele tirou o conteúdo adulto, ficou com a vilã Excel e criou Excel Saga, publicado de 1996 a 2011 em 27 volumes. Vários personagens vieram direto do doujinshi.
17. Sanami Matoh (真東砂波)
Autora de FAKE, o boys’ love sobre dois detetives de Nova York. Com o círculo East End Club publicou doujinshis de paródia e trabalhos originais. Os dois protagonistas são adultos.
18. Kōta Hirano (平野耕太)
Começou fazendo mangá adulto e, em 1996, estreou numa revista comum com Daidōjin Monogatari (大同人物語), comédia sobre gente obcecada por doujinshi e pela Comiket. Dois anos depois veio Hellsing e, em 2009, Drifters. Também lançou doujinshis com o círculo Otokoya (男屋).
19. Natsume Ono (オノ・ナツメ)
Começou a fazer doujinshi depois do colegial. Passou dez meses na Itália em 2001 e, na volta, publicou na internet La Quinta Camera, que acabou em revista. Ristorante Paradiso, sobre um restaurante em Roma com garçons de meia-idade, fez o nome dela. Para o boys’ love, usa o pseudônimo basso.
20. Haruko Kumota (雲田はるこ)
Fazia doujinshi desde por volta de 2002 e estreou como profissional em 2008, com trabalhos de boys’ love. Em 2010 começou Shōwa Genroku Rakugo Shinjū, sobre mestres de rakugo, a arte de contar histórias no palco. A série virou anime e é um bom exemplo de como o circuito forma autores com voz própria.
O que essa lista diz para quem coleciona
Repare que quase ninguém aqui largou o doujinshi depois de ficar conhecido. Yūki, Asamiya e Yoshinaga continuaram lançando livros de evento muito depois da estreia profissional, e esses livros costumam ter tiragem curta e raramente são reeditados. Um exemplar de evento de um autor que você já lê no mercado é uma das formas mais interessantes de começar uma coleção, ainda mais nos doujinshis de ilustração, que alguns desses nomes fazem com frequência.
Também vale lembrar que cópia digitalizada não paga ninguém da lista. Explicamos as diferenças em doujinshi original japonês ou scan.
A Hentoys é uma loja de doujinshis no Brasil dedicada a exemplares originais japoneses, só com personagens adultas.
Os títulos citados aqui são referências e nem todos estão no nosso estoque. Quando algum livro desses autores chega, ele aparece na categoria de doujinshis da Hentoys, com fotos do exemplar e a descrição do estado de conservação.